Itapema assume o metro quadrado mais caro do Brasil e tira o posto de Balneário Camboriú
Segundo o FipeZAP, a cidade do litoral norte catarinense passou Balneário Camboriú e deixou para trás São Paulo e Rio. Mas o que soa como manchete de boom é, na real, uma história de ciclo: uma vizinha amadureceu, a outra ainda está em curva de subida.

A coroa do metro quadrado mais caro do Brasil andou pouco mais de dez quilômetros pela orla e mudou de cidade. Itapema, no litoral norte de Santa Catarina, assumiu a liderança nacional de preço por metro quadrado segundo o FipeZAP, passando a vizinha Balneário Camboriú, que reinou por anos no posto, e deixando para trás gigantes como São Paulo e Rio de Janeiro. Para quem é daqui do litoral, a notícia tem gosto de novidade e de óbvio ao mesmo tempo.
Itapema tem apenas 52 quilômetros quadrados. É pequena no mapa e, de uns anos pra cá, enorme no preço. Antes de tratar isso como um boom do nada, vale entender o que o número realmente está dizendo, porque a manchete é mais sobre ciclo do que sobre milagre.
Não é Balneário caindo, é Itapema subindo
O erro de leitura mais comum é imaginar que Balneário Camboriú perdeu força. Não foi isso. O que mudou foi a fase de cada uma. Balneário já viveu o ciclo pesado de valorização, encheu a orla de arranha-céus e chegou a um estágio urbano maduro, com pouco espaço físico pra crescer. Itapema entrou na curva ascendente alguns anos depois, ainda com terreno, obra e projeto novo pela frente.
É a leitura de quem acompanha o setor de perto. Luiz Feitosa, sócio do Edify e com mais de três décadas no mercado imobiliário, resume o movimento como uma mudança de ciclo entre dois mercados vizinhos: Balneário consolidou sua fase forte de valorização nos últimos anos e Itapema entra agora na sequência, ainda na parte de cima da curva.
Traduzindo: Balneário já cobrou boa parte do que tinha pra cobrar. Itapema ainda tem valor pra incorporar. Por isso a cidade menor aparece na frente nos indicadores, não porque virou mais rica que a vizinha, e sim porque está no trecho mais inclinado da subida.
O que está empurrando os preços
A lista de motivos é concreta e local. A Meia Praia, cartão-postal da cidade, passa por alargamento da faixa de areia. Há obras de infraestrutura urbana em andamento e uma fila de empreendimentos voltados ao público de alta renda. Some a isso a posição às margens da BR-101, o corredor que costura todo o litoral catarinense, e você tem o combo que o investidor procura: praia, acesso e espaço pra construir.
O avanço do alto padrão é a cereja. Entre os projetos que viraram símbolo dessa fase está o Edify One, que tem entre os sócios a NR Sports, empresa ligada a Neymar da Silva Santos, pai do jogador. É o tipo de nome que, sozinho, já comunica pra que público a cidade está se vendendo.
O detalhe que a manchete esconde
Aqui entra o contraponto que poucos sublinham. O mesmo levantamento do FipeZAP mostra que o mercado nacional está desacelerando. Os imóveis residenciais subiram 0,42% em maio, abaixo dos 0,51% de abril. No acumulado de 2026 até maio, a alta é de 1,96%, bem abaixo do IPCA (3,24%) e do IGP-M (3,79%) no mesmo período. Ou seja, na média, o imóvel está valorizando menos do que a inflação corrói. Em termos reais, perdendo.
É por isso que o capital migra pra fora do eixo Rio e São Paulo, atrás de quem ainda promete subida acelerada. As maiores altas de maio foram em Aracaju (1,88%), João Pessoa (1,46%), Teresina (1,43%), Salvador (1,15%) e Natal (1,01%). Itapema joga nesse mesmo time: o grupo das praças que combinam turismo, expansão urbana e oferta limitada de terreno. O dinheiro não está fugindo do tijolo, está escolhendo melhor onde colocar.
O que isso diz pra quem vive no litoral
Para o morador e para o corretor da região, a troca de posições é menos uma disputa de vaidade entre cidades e mais um mapa de para onde a próxima onda de investimento está olhando. Balneário segue sendo referência e liquidez. Itapema vira a aposta de quem quer entrar antes do topo. E o litoral norte catarinense, no conjunto, se confirma como um dos principais polos de imóvel de luxo do país, o que muda a régua de quem compra, de quem vende e de quem mora. (Veja também: como a gestão, e não só a praça, decide o resultado de uma imobiliária.)
Dados de mercado: Índice FipeZAP. Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.





